4.11.05
E o Aquele está no ar
Cliquem no selo aí do lado e confiram.
-----------------------------
Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
Cadê sua passagem? ()
Desafio da Olivia (sem acento)
Alguns meses atrás a
Olivia me desafiou (e a alguns outros) a continuar um texto que ela tinha começado. O resultado, já postado por ela, eu finalmente trago para cá.
E devido e inúmeras 4 reclamações, vou dar um jeito de postar algo novo aqui de vez em quando. De início, estou com um projeto de reavaliar coisas antigas colocadas aqui. Acertar aqui e ali e ver no que dá. Uma das coisas interessantes de ler sempre, escrever sempre, e reler vez ou outra o que fez no passado, é que você nota erros tão simples de se arrumar - e outros quase impossíveis. A gente ganha mais clareza e objetividade na avaliação do texto. Então vou fazer isso. Inclusive, uma versão aprimorada de um dos meus contos eu enviei para um concurso literário. Vamos ver no que dá. Enquanto isso, leiam o texto:
--------------------------
Instantes
"Infindo e onipresente, o nada envolvia cada recanto de sua consciência" - Joseph Glittergate
O quarto era escuro e a figura sentada sobre a cama não se movia. O silêncio pulsava com a cadência da sua respiração. Uma luz entrava fraca e esverdeada pela fresta de janela aberta e iluminava um retângulo na parede oposta. As mãos apoiadas na borda do colchão e os pés em simetria tocando o chão. Uma espécie de ruído chegava da rua; carros passando e prostitutas que conversavam com vozes esganiçadas.
Ele não ouvia, imerso em seu mundo estático de sombras. Era o silêncio e o silêncio nascia dele, em ondas, inspirando e expirando.
Um quarto sujo de um hotel pobre em um bairro esquecido, ele pensava, e pensava também em outros adjetivos que poderiam caber naquele lugar tão feio. E tomou todos aqueles adjetivos para si conforme os enumerava, e os adjetivos sentavam-se ao seu lado e o tomavam para si também. Decadente, abandonado e triste, e outros tantos adjetivos que quando muito juntos perdiam o significado e viravam seqüências idiotas de sons.
Passos no corredor. Fugiram os adjetivos e o silêncio se escondeu embaixo da cama. O homem levantou-se e fez ranger as molas do colchão, e o silêncio pulou pela janela.
Decidiu. Da cabeceira, assomou a arma. Retesou o pulmão. Engatilhada, o cano aproximou-se sem emitir som. O silêncio gritou um aviso, a bala respondeu num dó torto. E o silêncio voltou ao recinto.
Desta vez, permanente.
-----------------------------
Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
Cadê sua passagem? ()