22.3.05
Mega Liga
E chega ao fim a epopéia de Alan pelos blogs da Liga. Confira como essa história acaba, aqui mesmo, no MetrôLinguagem.
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
Cadê sua passagem? ()
Os outros - parte última
- Sampaio, Sampaio? - repeti conforme entrava em sua sala.
Segui a mulher. Ainda sem saber porque, mas segui. Ela atravessou rapidamente a sala de espera e entrou no escritório. Na porta, dizeres recém-escritos: O Bispo. Exorcista.
O homem que apareceu por trás da mesa não era meu editor. Era um homem um tanto estranho, com um nariz aquilino ou não, com cabelos brancos ou careca. Seu corpo magro-gordo se esparramava, retesado na cadeira de Sampaio.
- As coisas devem estar bem feias para você voltar, Hannah.
- Quem é você? Onde está o Sampaio... E como sabe quem eu sou?
- Calma, calma Uma coisa por vez. Você nunca me notou, mas sempre estive aqui. Sampaio, aquele idiota, não merecia esse lugar. Ele nunca vai ser imortal, como você. Resolvi fazer uma aparição antes que fosse tarde. Sair das sombras, pra variar. Pode me chamar de Bispo. Quanto a saber quem você é, faz parte do que eu faço. Mas isso fica pra depois, Hannah. Temos algum tempo ainda...
Havia algo naquele homem que me dava calafrios. Meus pensamentos como congelavam quando ele dizia algo. Eu precisava sair logo dessa. Essa história já estava me enlouquecendo.
- Não me chame de Hannah. Odeio esse nome. É coisa do Sampaio. Meu nome é Ana Cristina. Abreu. Cris.
- Sim, sim, Cris, isso é bom. As coisas devem ter seus próprios nomes, sabe? Imagina só se andássemos em carros que se chamassem aviões. Não, não. Você já deve ter percebido isso. Sabe aquelas palavras que não encaixam no objeto? Nomes errados... E, no fundo, o que ninguém percebe é que não são as coisas que possuem nomes, são os nomes que possuem suas coisas.
- Entendo... Mas, o que você faz aqui, na sala do Sampaio?
- Vim arrumar essa confusão, Cristina. Isso já foi longe demais. Sabe como são essas coisas: muita gente envolvida, muitas opiniões, muitos palpites. Basta um irresponsável, um desavisado, um pequeno boicote e a coisa desanda.
- Na verdade, - continuou a estranha figura atrás da mesa - autores, editores, toda essa laia fica aí, achando que é só contar uma história e tá tudo certo. O que importa é ser lido, ganhar uma grana. O que importa, você sabe, não sabe? Cris, qual é a coisa que você mais gosta?
- Escrever... - murmurei.
- Então porque você parou? Quando você começou a simplesmente redigir histórias? Redigir obras padrão, com significados óbvios. Quando você parou de criar. Esse rapaz, confuso, aí ao seu lado. Qual o nome dele?
- Meu nome? Meu nome é...
- Ele não sabe, não é, Cris? Você emprestou ele de outro lugar. Você não o criou para isso. Ele é fraco. Não adianta só apagar o passado. Personagens não são tabula rasa. Qual o nome dele?
Nisso, meu primo e a mulher invadem a sala. A arma, na mão dele dispara, o tiro passando zunindo pela minha cabeça.
- Porra, Marcelo, toma cuidado com isso - diz a mulher do decote - você quase me acerta. E se matar o Alan, a gente nunca vai ver a grana!
- Vocês sabem que não deveriam estar aqui - disse o Bispo.
Aquela dupla novamente. Sempre aparecendo na hora mais inoportuna...
- Quem não deveria estar aqui é ela. Como é que ela cruzou? - resmungou Marcelo.
- Isso é problema meu. - respondeu o Bispo - Já que estão aqui, fiquem quietos. Vocês sabem que já não podem fazer nada. Vamos, Cris, qual o nome desse rapaz? Qual o nome dele, Ana Cristina...
- ...Abreu, pode entrar.
Levantei num susto. Quanto tempo fazia que eu estava esperando minha vez? O Sampaio já estava abusando da minha boa vontade.
- Hannah Roberts, minha escritora favorita!
- Sampaio, vai à merda. Já disse que meu nome é Cris.
- Calma querida. Os caras adoraram o manuscrito. Mas...
- Mas?
- Mas eles acham inconsistente, esse tal de Alan.
- Inconsistente, porra? Ele tem amnésia!
- Não tem mais. Assim ninguém vai entender nada. Não é mercadologicamente bom.
- Quer saber? Chega dessa palhaçada. Se vocês querem esse livro, é melhor sentarem no computador e escreverem vocês mesmos. Eu tô fora. Quem é que conta a história aqui? Aqueles babacas ou eu?
- Cris, calma, não é bem assim. Além do mais, falta tão pouco... esse livro vai vender muito. Vai ser mais um best seller de Hannah Roberts.
- Que claramente não sou eu. É só uma quimera desse bando de incompetentes que não sabem escrever e ficam mandando em que sabe. Já chega. Passar bem.
Passei pela recepção, e joguei o disquete e o manuscrito na mesa da gorda - Enfia no cu - disse, contente. Conforme desci no elevador, senti algo que não sentia há muito tempo. Senti meus dedos formigarem. Precisava escrever.
Cheguei em casa e peguei, lá no quartinho dos fundos a velha Olivetti Royal, presente do meu pai, cujos es sempre emperravam.
Robrto acordou e viu os pontiros do rlógio marcarm tr^s da manhã. O quarto stava scuro. Mal vislumbrava o intrrupor na pard. Lvantou olhou m volta. Não sabia ond diabos stava. No splho um rosto conhcido. Mas o quarto, não o sabia...
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
Cadê sua passagem? ()
15.3.05
Aquele #2
E a terceira edição do
Aquele acaba de ir pro ar. Confiram! Novidades não faltam.
Ah, sim, e o último capítulo da Liga virá em breve.
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Vitor Leal Pinheiro
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