25.2.05
Metalinguagem
Dia desses eu estava escrevendo uma história e não foi com pouca surpresa que eu percebi que ela tinha tomado um rumo bem diferente do que eu planejara. Era um daqueles personagens - voluntariosos, como diz uma amiga - que havia tomado conta e fazia birra para a história ser do jeito dele. E aí, fui obrigado a contar uma história que não queria. Por que será que esses personagens são tão folgados? É tudo do jeito deles, isso quando querem trabalhar. Raramente eu encontro um que peça pra eu contar uma história. Pelo menos ultimamente. E eu vou ficando aqui, sem bem saber o que escrever. Vai ver que todos os personagens são um pouco assim. O ruim mesmo é quando eles não estão a fim de fazer nada, querem só sentar no sofá e ver TV, e acaba surgindo uma não-história. Paciência. Personagens são assim mesmo: querem arrancar a caneta da nossa mão e escrever o próprio destino. Vá lá. Nós, os homens, também queremos. Queremos escolher tudo que nos acontece, queremos ser felizes e não ser infelizes. Mas assim como no conto, precisamos dos altos e baixos na nossa vida para não ficar tedioso. Vai ver que é por isso que eu sempre preferi o Batman ao Superman. O primeiro é humano e tem milhares de defeitos e qualidades. O segundo é imbatível. Convenhamos: todo aquele lance de kriptonita não tem graça nenhuma. Então, quando os personagens querem escrever a própria história, eu só vou acompanhando, fingindo que não percebi o que eles estão fazendo. Deixo eles terem suas idéias de grandeza, para então, Zap!, tomar a pena de volta e mostrar quem manda aqui sou eu. É por isso que alguns dos meus personagens são meio atormentados. Juro, tem vezes que fico com pena deles. Vez ou outra até deixo eles contarem o que aconteceu, não me meto e só assisto. É nesses casos que nem sei bem o que aconteceu. Só o que me disseram. Mas no final, no final mesmo, eu chego à conclusão de que esse tipo de personagem precisa mesmo é apanhar, pra aprender que comigo não tem história. E nem vem com gracinha.
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
Cadê sua passagem? ()
22.2.05
Mega Liga
Não, a Liga não parou. Foram problemas técnicos, mas ela já passou por
aqui(leiam para entenderem o que se passou com o Alan) e agora está no
Mundo Estranho. Semana que vem tem mais.
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
Cadê sua passagem? ()
7.2.05
Minha vez
Finalmente chegou a minha vez na Liga. Mas, ela ainda não acabou. A história é daquelas voluntariosas, e implorou, implorou para que continuássemos. Então, resolvemos dar uma chance e teremos mais uma rodada. Semana que vem ela continua no
Asas de Madeira.
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
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Outros - Parte V
- Você deve estar se perguntando onde foi parar a cicatriz, não? Pois é. Photoshop. Faz maravilhas. Você não faz idéia de quantas barriguinhas são refeitas nas revistas hoje em dia. Você achou mesmo que iriam deixar essa coisa horrível na sua cara? Não mesmo.
Eu só pude pensar que ela devia estar louca. Mas, surpresa, a cicatriz estava ali, cortando a bochecha de ponta a ponta.
- Foi uma briga e tanto - ela disse.
- Pelo menos eu ainda estou vivo - respondi.
- Isso pode mudar se você continuar a fazer merda.
Era o motorista do carro roxo. Eu nem percebi quando ele saiu do carro, mas agora ele me encarava como se fosse arrancar-me os olhos e depois comê-los.
- Se fosse fácil me matar você não me procuraria pra resolver seus problemas.
A situação era tão absurda que a loucura parecia ser a única coisa sensata. O homem recuou pensativo, e fitou-me por um instante. Em seguida veio na minha direção e deu-me um abraço.
- Alan, primo, que bom que você apareceu. Eu realmente estou precisando dos seus serviços. Mas antes você precisa de um banho. Vamos lá pra dentro, vamos?
Entramos na casa que, como tudo até agora, não parecia com nada que eu já tivesse visto antes. Ou ainda, tudo era estranhamente comum, vulgar. As casa geminadas, todas semelhantes, com suas portas que rangem e pisos descascados. Já no quarto, a mulher, que pelo que eu havia entendido era esposa do meu primo, mostrou-me o banheiro e uma toalha surrada.
Depois do banho fiz um curativo e coloquei uma camisa e uma calça, que o homem dizia serem umas coisas antigas que eu deixara lá para uma emergência. Essas sim, serviam perfeitamente, sapato e tudo.
Limpo e vestido, decidi que já era hora de descobrir onde eu me metera. Ainda não sabia ao certo como, mas precisava da ajuda de alguém. Alguém de confiança. Por algum motivo - creio que instinto, aquilo em que podemos contar quando não sabemos nada - eu sentia que podia confiar no homem que se dizia meu primo. Saí do quarto e chamei-o num canto, longe da mulher de vermelho.
- Primo, eu tenho que te contar uma coisa.
- Você não se lembra de nada disso, não é?
- É. Mas como você sabe?
- Você só me chama de primo quando isso acontece.
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
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2.2.05
Liga
A quarta parte da Liga está no ar, lá no
Badunda. Vocês não perdem por esperar.
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
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