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As Intermitências da Morte

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O Encontro Marcado
Sapato Florido
Crônica da Casa Assassinada

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27.1.05


Aquele de quem lhe falei
A nova edição do Aquele já está no ar. É só clicar no link aí atrás. O tema? Sexo.

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Vitor Leal Pinheiro é o condutor. Cadê sua passagem? ()


25.1.05


Parte 3
A terceira parte da Mega Liga já está no ar. E a Olivia (sem acento) disse que no meio é mais gostoso. Então confiram no Forsit.

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18.1.05


Crocodilismo
Já nem se lembrava quando foi a última vez, só sabia que isso significava muito tempo. Quando a gente não lembra mais de uma coisa, é porque já faz pelo menos uns anos que não fazemos. E fazia. Foi daquela vez, quando a menina disse que não o queria mais. Ele olhou pra ela e quis mandar à merda. Mas só conseguiu dizer "tchau, seja feliz então". E saiu andando pela rua, até em casa, chorando. Foi esse o dia. Desde então, até esquecera o que era isso. Vá lá, chorara umas duas vezes bêbado, mas bêbado chora por qualquer coisa.

Não era das lágrimas que sentia falta, era daquela moleza-quase-sono que sentia logo depois. Ah, era tão bom. Uma vez brigou com a irmã, feio mesmo, e se escondeu na lavanderia para chorar. Chorou por uns vinte minutos e adormeceu. Só quem já chorou até dormir sabe como é gostoso.

O mais engraçado é que fora um chorão. Daqueles que um simples insulto transforma a raiva em lágrimas. E, como viver é conformar-se, passou a gostar de chorar. Cativava aquele sentimento, aquele alívio pós-choro. Caprichava até nos soluços, para tirar o máximo de cada lágrima.

Mas aí, um dia qualquer, decidiu que queria ser feliz. Decidiu que não iria mais chorar, porque quem chora é fraco e infeliz. E parou. Foi logo depois da ruivinha que se enchera dele. Ao chegar em casa, enxugou as lágrimas e disse pro espelho: eu nem queria mais ela mesmo. E continuou com a vida.

Depois disso teve duas morenas, uma loira e outra ruiva. Teve até um cachorro que morreu de velhinho, coitado. Mas nunca mais derrubou uma lágrima. Quando sentia uma vontade muito grande de chorar, chorava para dentro. Acabou por desaprender, e só percebeu como fazia falta no dia em que morreu a mãe, de mal súbito. As pessoas nessas histórias sempre tem males súbitos. Então ela morreu, e no enterro viu todos chorando. Mas ele, ele, não conseguiu. Olhava o pai e a irmã derretendo-se em lágrimas, mas daqueles olhos não saía nada. Aquela situação o deixou muito incomodado. Descobrira que as lágrimas traziam conforto, e que por não sentir essa tristeza toda, também não sentia felicidade completa. Além de tudo, não chorar deixava os outros inquietos, como se ele fosse o único a não beber numa mesa de bar.

Voltou pra casa e ficou treinando. Pensou nas coisas mais tristes de que se lembrava. Da vez em que o avô morreu. Quando o melhor amigo mudou de cidade. E daquela vez em que foi despedido do emprego porque um colega puxou seu tapete. Mas nada, não veio uma lágrima sequer. Nem quando se casou, ou quando o pai teve câncer, conseguiu chorar.

Aí, quando o câncer venceu o pai, decidiu que precisava solucionar a coisa toda. Foi numa dessas lojas de mágica e comprou um daqueles óculos de palhaço, que jorravam lágrimas na platéia. Quando chegou no velório, os presentes olhavam para ele, mas dessa vez estavam mais aliviados: ele estava chorando. Tão aliviados estavam que nem percebiam o ardil.

E foi assim que passou a carregar sempre os tais óculos. Se precisava chorar, colocava-os e pronto, choro na quantidade que desejasse. O mais estranho é que ninguém percebia. Tornara-se tão bom em chorar nos momentos certos que ninguém notava que as lágrimas eram de mentira.

Sua esposa, outra ruiva, engravidou e perdeu o filho. E ele, com os óculos. Decidiram tentar novamente e dessa vez, tudo correra bem. Na maternidade o médico veio e disse: parabéns, é um menino. E mais uma vez, chorou.

Mas os óculos, estes ficaram em casa.

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Liga - Segunda Parte
A próxima parte já está no ar. Confiram aqui.

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10.1.05


A Liga
A segunda edição da Liga está no ar! Confiram no Asas de madeira, o novo blog do Abner Carrazzoni. Como eu já disse aí embaixo, teremos 5 autores dessa vez. Não percam.

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