30.1.04
Comentários Aleatórios II
Hoje de manhã, puta Sol em Sampa, eu com o guarda-chuva pesando na mochila. Fiquei puto e disse:
- Que merda, eu carregando esse peso e hoje não chove nem fudendo!
Fudeu.
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
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29.1.04
Mais anotações mentais ou coisas que eu odeio nas pessoas
Tem uma antiga amiga minha que vez em nunca manda um email pra galera. Convém dizer que ela é bastante religiosa, do tipo que não pode nem ouvir palavras mais chulas que já fica vermelha de vergonha.
Enfim, somos amigos a muito tempo e gosto muito dela. Mas eu acho muito bizarro, digno de estudo, o modo como ela parece saída de um livro do Machado de Assis, de uma outra época. Houve época em que isso me divertia. Depois peguei um pouco de raiva. Hoje já me divirto novamente.
Ela fala de uma forma extremamente rígida e formal. Não manda um email do tipo: "Oi, pessoal, tudo bem com tudo mundo? Que pena, não deu pra ir tal dia mas queria ter ido." O modo correto é "Caríssimos", repito "Caríssimos, estou com muitas saudades de todos e não vejo a hora de nos reencontrarmos.(...) Queria poder dar a recepção que você merece..." E continua. Pessoas que não conseguem fala num tom informal.
Mas, pelo menos, não conheço ninguém mais coerente do que ela. Sempre vestida do jeito que fala. Sempre falando do jeito que veste. Em um figurino saído do Titanic. O filme, não o barco.
Boa. Gostei da idéia, vou realizar um desfile dos meus comparsas. Vou descrevê-los um a um, e ver no que dá. Provavelmente ódio e mágoa. Mas, perde-se o amigo, fica-se piada.
Caríssimo... Bah...
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Vitor Leal Pinheiro
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27.1.04
Dilbert, pra variar
Não é que o Scott Adams adivinhou? Olha só o que eu queria dizer com aquele post:
acá.
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Vitor Leal Pinheiro
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Anotação Mental
Preciso escrever um texto sobre aquele tipo de pessoa que, quando a gente fala alguma coisa, usa um argumento cheio de nada, um vazio puro repleto de palavras sem sentido, mas que parecem ter algum tipo de valor por ser falado com entonação de autoridade. Exemplo? Desculpem, tentei mas não consegui. Quando eu escrever, vocês entenderão. A não ser que vocês tenham conversado com seu chefe, uma pessoa de atendimento ou já tenham falado alguma vez na vida com alguém da assistência técnica da TV a cabo. Nesses casos vocês já sabem do que estou falando.
Ah, já que falei da TV a cabo. Já prestaram atenção em como os atendentes, lá do outro lado da cidade, pelo telefone, dizem: "Olha, eu tô olhando daqui e não tem problema nenhum, tá tudo certinho". Mas porra, então porque eu não consigo assistir nada na TV...
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Vitor Leal Pinheiro
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8.1.04
Sobre escrever
Nossa, é engraçado como a gente começa a perceber as coisas. No mesmo dia em que uma amiga lê meu blog e comenta que pode ler meus textos de novo (o que ela gostava de fazer antigamente), eu descubro, sem querer, um comentário que eu fiz num site sobre um filme. Não interessa entrar em detalhes, mas se eu tivesse visto aquele comentário hoje, eu xingaria quem escreveu. Acho que isso é legal, estamos sempre evoluindo e melhorando o que fazemos. Aliás, ultimamente tenho percebido muito isso. Percebo, sempre que leio algo antigo, como faria melhor e diferente. Isso mostra que ainda tenho muito a aprender, e que não posso parar de ler e escrever. Pelo menos sei que estou num caminho. Certo ou não, só vou saber depois.
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Vitor Leal Pinheiro
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7.1.04
Mi Buenos Aires Querido
Passei uma semana na Argentina e a experiência foi bizarra. O lugar é incrível, vale a pena visitar. Mas o que eu queria contar mesmo foi o que aconteceu na Fronteira. Eu me senti num livro do Gabriel Garcia Marquez. Aquela coisa latina mesmo. Não tem jeito, Brasil, Argentina é tudo igual. Só muda o idioma.
Chegamos na Fronteira e estava um puta calor. Tinha, para nossa sorte, só um ônibus de turistas, argentinos. Fui preencher os malditos formulários pra entrar no país. Ah, só lembrando que eu não sabia que a carteira de motorista não servia como documento e perdemos 4 horas para buscar o RG Original em casa (explico: demoramos 1 hora para voltar pra casa, 1 para voltar onde já estávamos na estrada e mais 2 horas que não estávamos indo em frente). Pra começar eles não deixam formulários no balcão. Você tem que passar na frente de meio mundo pra chegar no oficial mau humorado que vai não olhar pra você quando você pedir, vai fingir que não te viu e, de repente, vai entregar formulários contados. E estava um calor absurdo. 30 e tantos graus. E havia moscas do tamanho de baratas e baratas do tamanho de camundongos. E garotos índios que vinham pedir águacomidamonedasdineroáguacomidaáguamonedas e ficavam no seu pé. Eles não têm a classe das crianças de rua brasileiras que só pedem uma vez. Ficam no seu pé.
Recapitulando. Estava calor e havia uma bela fila. O funcionário da polícia federal argentina, dentro de um uniforme saído de um filme dos Trapalhões, dentro de uma sala cujo frescor do ar condicionado só ele aproveitava, pegava os documentos sem olhar pra sua cara e, de rabo de olho, dizia "¿Ese? ¿Donde está?". Sendo que Ese era a Olívia, minha namorada, que estava atrás de nós. Então ele ía digitando os nomes e carimbando os vistos e, olha só, fazia questão de, quando colocava os RGs de volta no balcão, batê-los com a mão, num desprezo inacreditável. Eu mencionei que estava calor?
Enfim, saímos de lá, após 1 hora de fila e desorganização latina para mais 700 quilômetros de estrada. A boa notícia é que a hora que perdemos na Fronteira, ganhamos no fuso horário.
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Vitor Leal Pinheiro
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5.1.04
Eric Clapton
Escrevi isso na Clapton-list antes do Natal e resolvi partilhar aqui, com ninguém.
Bom, galera
Eu não costumo escrever muito nesta lista, exceção feita a uma ou outra pergunta ocasional. Mas nesse fim de semana uma coisa me deixou tão feliz, que resolvi partilhar um pouco da minha história com o Velho.
Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos. Eu não conhecia muito de música, nunca fui um desses que ouvem rádio e assistem à MTV o dia inteiro. Pelo contrário. Não conhecia gente muito boa como Doors, Led, Who, até pouco tempo atrás. Mas comecei a gostar de uma música chamada Tears In Heaven. Para ser sincero, o MTV Unpglugged foi meu segundo CD, mas o primeiro que pedi.
Comecei a ouvir o CD e, aos poucos a minha primeira paixão foi dando lugar a outra.Ou seria outras? Lembro-me de, a cada vez que ouvia o CD, me apaixonar por uma nova música. Demorei um tempo para encontrar Old Love, uma de minhas preferidas. Layla, só conheci a versão original anos depois, ouvindo The Cream of Clapton. Sim, tenho diversas coletâneas, poucos CDs originalmente lançados por ele. Afinal, nem tudo é perfeito.
Não me orgulho de conhecer muito bem EC. Não conheço mesmo. Ele é meu ídolo, mas meus conhecimentos não chegam nem perto dos de Marissom, Thomas... Entrei na lista na época que ele veio ao Brasil com a turnê Reptile.
O que eu queria dizer, na verdade, é que, de todas as coisas que me definem, Eric Clapton se destaca. Foi através de Tears in Heaven que eu conheci Slowhand. E através dele conheci o Blues, o Rock, a música. Se hoje tenho vários gostos, o primeiro foi Ele.
Todos temos gostos que adquirimos por osmose. Um grande amigo, uma namorada, seus pais. Eles gostam de alguma coisa e, por ouvir passivamente ou por procurar conhecer para conhecer nossos entes queridos, acabamos por conhecer coisas novas. Para mim, Dire Straits foi assim. Doors foi assim, e assim por diante. Mas Eric Clapton não. Nada que eu me lembre é mais puramente meu do que Clapton. Foi eu o disseminador, sou eu o portador entre os meus. Minha mãe até hoje se arrepende de não ter ido ao show.
O fato que me levou a querer contar tudo isso foi que, neste fim de semana, fui comprar umas coisas no Shopping Eldorado, aqui em Sampa. Entrei na Renner e casualmente ouvi um CD tocando. Beatles, presumi. E continuei as compras. Foi então que ouvi tocar While my Guitar Gently Weeps. Prestei uma atenção maior, devido à proximidade de Harrisson e Clapton, imaginei se eles tocavam juntos. Qual não foi minha surpresa ao, não só reconhecer a guitarra, mas a voz. Ah... Na hora pensei: deve ser o tributo ao George Harrison. Não eu não sabia o nome do álbum. Fui ao rapaz que atende e perguntei: Tributo ao George Harrison? Ao que ele me respondeu, com um sorriso, apontando um CD. Concert for George (70 reais, mas o DVD custa 85).
Por que fiquei feliz? Porque como já disse antes, não sou um fã refinado. Não conheço todas as músicas, não tenho nem um décimo dos albuns. Mas a cada vez que reconheço sua voz ou guitarra, me regozijo por mais uma vez perceber que conheço meu ídolo, reconheço meus gostos.
Abraço a todos e feliz Natal,
Vitor Leal
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Vitor Leal Pinheiro
é o condutor.
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